Você já tentou mudar alguma coisa na sua vida e, mesmo tendo feito tudo certo, as coisas voltaram ao mesmo lugar? E em algum momento você parou de tentar, não por preguiça, mas porque concluiu, lá no fundo, que não adianta?
Se sim, existe um nome para o que você está vivendo. E entender esse mecanismo pode mudar a forma como você se vê.
O que é desamparo aprendido
O conceito de desamparo aprendido foi descrito pelo psicólogo Martin Seligman a partir de estudos sobre como os seres humanos reagem a situações que percebem como incontroláveis.
A conclusão foi a seguinte: quando uma pessoa é exposta repetidamente a situações onde suas ações não produzem o resultado esperado, ela aprende que não tem controle sobre o que acontece com ela. E passa a agir como se não tivesse esse controle, mesmo em situações onde ele existe.
Não é resignação consciente. É uma aprendizagem. O sistema conclui que tentar não adianta, e para de tentar.
Como isso aparece na vida de uma mulher
O desamparo aprendido raramente aparece como “eu desisti”. Ele aparece de formas mais sutis.
Ela continua se esforçando, mas por dentro acredita que o esforço não vai mudar nada de verdade. Ela tenta se posicionar, mas cede antes que o conflito aconteça, porque aprendeu que se posicionar tem custo alto. Ela começa a mudar, mas abandona o processo antes de ver resultado, porque espera que não vai funcionar de qualquer forma.
E o mais importante: ela atribui o que não funcionou a si mesma. Não à situação, não ao contexto, não à outra pessoa. A ela. “Eu não fui suficiente.” “Eu errei.” “O problema sou eu.”
Esse estilo de interpretar o que acontece, colocando a causa sempre em si mesma, de forma global e permanente, é o que mantém o desamparo ativo.
A conexão com a autoestima
A autoestima não é só o que você pensa sobre si mesma quando alguém te elogia ou te critica. É a estrutura mais profunda de como você acredita que merece ser tratada, o que acredita que é capaz de fazer e o quanto acredita que o que você sente e precisa importa.
Quando o desamparo aprendido está ativo, essa estrutura fica comprometida. Não porque você é incapaz. Mas porque você aprendeu, a partir de experiências reais, que suas ações não produzem efeito. E essa aprendizagem contamina a forma como você se vê.
A boa notícia é que o que foi aprendido pode ser desaprendido. Não de forma mágica e não do dia para a noite. Mas com um processo que chegue na crença que está operando por trás do comportamento.
O que muda quando esse mecanismo é trabalhado
Quando o desamparo aprendido é identificado e trabalhado dentro de um processo terapêutico, algumas coisas começam a mudar.
Você começa a perceber quando está cedendo por medo, não por escolha. Começa a testar, em situações pequenas, que suas ações produzem efeito. Começa a reatribuir o que acontece de forma mais precisa, sem colocar tudo como prova de que você não é suficiente.
Não é um processo que acontece de uma sessão para outra. Mas é um processo com direção. E ter direção já é diferente de estar presa num ciclo que parece não ter saída.
Se você se reconheceu neste texto, pode ser que o que você está vivendo tenha mais a ver com o que aprendeu sobre si mesma do que com quem você é de verdade. Entre em contato para conversarmos.